As emoções ecoam: Os padrões de tempo em todo o cérebro revelam as raízes dos sentimentos




Emoções e Atividade Cerebral: Um Estudo Revolucionário

Emoções e Atividade Cerebral: Um Estudo Revolucionário

Resumo

As emoções desempenham um papel fundamental em nossa vida, orientando nossas decisões e ações. No entanto, quando persistem por muito tempo ou surgem no momento errado, podem levar a problemas graves de saúde mental. Um estudo pioneiro da Stanford Medicine identificou padrões de atividade cerebral associados a respostas emocionais, revelando uma resposta em duas fases: uma reação rápida inicial e um sinal persistente mais lento relacionado ao processamento emocional.

Principais Resultados

  • Os pesquisadores mapearam a atividade cerebral em humanos e camundongos após um estímulo sensorial desagradável, mas inofensivo, como um “puff” de ar nos olhos.
  • Identificaram uma resposta neuronal em duas fases: uma reação rápida (cerca de 200 milissegundos) e um sinal mais lento e persistente (aproximadamente 700 milissegundos) associado ao processamento emocional.
  • O sinal mais lento, que pode ser atenuado pela ketamina, parece estar relacionado à formação de emoções. Dysfunctions nessa fase podem contribuir para distúrbios neuropsiquiátricos.
  • O estudo sugere que a persistência ou a redução prematura dessa atividade cerebral pode estar associada a transtornos como PTSD, depressão e transtornos obsessivo-compulsivos.

O que é a emoção?

As emoções são estados fundamentais para a psiquiatria, orientando comportamentos e decisões. No entanto, o mecanismo cerebral por trás delas ainda não é totalmente compreendido. Este estudo busca desvendar como as emoções emergem a partir de experiências sensoriais.

Como o estudo foi realizado

Os pesquisadores utilizaram um dispositivo comum em consultórios oftalmológicos para aplicar pequenos “puffs” de ar nos olhos de participantes humanos e camundongos. Essa abordagem permitiu um estímulo seguro, reprodutível e preciso para medir respostas emocionais.

Principais Descobertas

  • A resposta emocional se desenvolve em duas fases: uma reação rápida e uma fase mais lenta de processamento.
  • A fase mais lenta foi significativamente reduzida pela administração de ketamina, um medicamento conhecido por diminuir respostas emocionais.
  • Os padrões de atividade cerebral foram semelhantes em humanos e camundongos, sugerindo princípios conservados na evolução mamífera.

Implicações para Transtornos Neuropsiquiátricos

Os resultados sugerem que alterações no tempo de persistência da atividade cerebral podem estar relacionadas a transtornos como esquizofrenia, depressão e transtorno de estresse pós-traumático. A capacidade de “sustentar” ou “liberar” sinais cerebrais pode ser fundamental para a formação de estados emocionais saudáveis ou patológicos.

Conclusão

Este estudo abre novas perspectivas para entender como as emoções se desenvolvem e como dysfunctions nesse processo podem levar a transtornos mentais. A descoberta de padrões conservados em humanos e camundongos oferece uma base sólida para investigações futuras sobre o tratamento de distúrbios emocionais.


Léo Garcia é pesquisador com formações em Neurociência Comportamental (PUC), Clínica (Duke University) e Translacional (Harvard Medical School). Especialista em tDCS, sono e comportamento, é fundador do Neurociencianews.com, e o NeurologicBr Institute onde divulga ciência baseada em evidências com foco em cognição, saúde cerebral e neurotecnologia.

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