Células T encontradas vivendo em cérebros saudáveis

Descoberta de Linfócitos T no Cérebro Saudável Redefine o Eixo Intestino-Cérebro

Autor: Rachel Tompa

Resumo

Contrariando crenças antigas, linfócitos T, células imunológicas essenciais, foram encontrados nos cérebros saudáveis de camundongos e humanos. Essas células, anteriormente pensadas para entrar no cérebro apenas durante doenças, concentram-se principalmente em uma região que regula a fome e a sede. O estudo sugere que os linfócitos T viajam do intestino para o cérebro, potencialmente fornecendo atualizações em tempo real sobre o estado do corpo. Essa descoberta revolucionária revela uma nova dimensão do eixo intestino-cérebro, onde as células imunológicas podem atuar como mensageiras, influenciando comportamento e saúde.

Principais Fatos

  • Descoberta realizada por uma equipe da Yale School of Medicine.
  • Linfócitos T foram encontrados nos cérebros saudáveis de camundongos e humanos.
  • Essas células estão mais concentradas no órgão subfornical, região que regula a fome e a sede.
  • Os linfócitos T viajam do intestino e do tecido adiposo para o cérebro.
  • A presença dessas células no cérebro desafia o dogma sobre o papel dos linfócitos T no sistema nervoso.

Linfócitos T no Cérebro Desafiam Visões Tradicionais

O cérebro é um local único, protegido pela barreira hematoencefálica, que o isola de patógenos e substâncias perigosas presentes no sangue. Historicamente, acredita-se que o sistema imunológico também estava separado do cérebro, com células imunológicas como os linfócitos T entrando no cérebro apenas em casos de doença. No entanto, uma equipe de cientistas da Yale School of Medicine demonstrou que os linfócitos T residem nos cérebros saudáveis de camundongos e humanos, migrando do intestino e do tecido adiposo.

O Órgão Subfornical e seu Papel

Os pesquisadores encontraram os linfócitos T mais densamente concentrados no órgão subfornical, uma pequena região profunda do cérebro conhecida por regular a sede e a fome. Essa parte do cérebro tem uma barreira hematoencefálica ligeiramente permeável, permitindo que as células dessa região recebam sinais do sangue para indicar quando o animal precisa beber ou comer. A presença de células imunológicas nessa região sugere que elas podem fornecer sinais sobre o estado normal do corpo.

Implicações para a Comunicação Intestino-Cérebro

Os linfócitos T desempenham muitas funções, e os pesquisadores os categorizam em subclasses com base nas proteínas presentes em suas superfícies. No cérebro, essas células são diferentes das encontradas na meninge e são semelhantes às presentes no intestino e no tecido adiposo. Em camundongos, alterações no microbioma intestinal afetaram o transporte desses linfócitos T para o cérebro. Quando os camundongos foram desmamados e começaram a comer alimentos sólidos, a mudança no microbioma intestinal desencadeou a viagem dos linfócitos T do intestino para o cérebro.

Novas Perspectivas e Futuras Pesquisas

Os pesquisadores acreditam que as células imunológicas podem estar sinalizando o estado do corpo para o cérebro por meio de uma forma ainda não descoberta de comunicação intestino-cérebro. Além do nervo vago e de moléculas secretadas no sangue, a ideia de que as células imunológicas atuam como mensageiras é revolucionária. Os cientistas querem investigar como os linfócitos T sabem migrar do intestino para o cérebro e o que acontece com essas células em doenças neurológicas, como esclerose múltipla ou Parkinson.

Resumo (Abstract)

O órgão subfornical é um núcleo para linfócitos T derivados do intestino que regulam o comportamento. Células imunológicas especializadas que residem nos tecidos orquestram funções biológicas diversas comunicando-se com células parenquimatosas. A contribuição do compartimento imunológico inato nas meninges e no sistema nervoso central (SNC) é bem-caracterizada; no entanto, não está claro se as células do sistema imunológico adaptativo residem no cérebro e estão envolvidas na manutenção da homeostase. Mostramos que o órgão subfornical (SFO) do cérebro é um núcleo para linfócitos T αβ parenquimatosos no cérebro em estado estável em camundongos e humanos.

Financiamento

A pesquisa relatada neste artigo foi apoiada pelos Institutos Nacionais de Saúde (prêmios R01AI162645, R01AR080104, P01AI073748, R01AI22220, UM1HG009390, P01AI039671, P50CA121974, R01CA227473, 1F31NS130957-01A1, DP1DA050986 e R37AR40072) e pela Universidade Yale.

Os conteúdos são da única responsabilidade dos autores e não representam necessariamente as visões oficiais dos Institutos Nacionais de Saúde.

A pesquisa também foi apoiada pela Fundação Smith Family, o Centro Colton para Autoimunidade em Yale, a Iniciativa de Ciência de Alimentos e Alergias, a Fundação Pew Charitable Trusts, a Fundação Mathers Family, a Fundação Ludwig Family, os Cavaleiros de Colombo, a Race to Erase MS, a Iniciativa Chan Zuckerberg e a National MS Society.

Imagem crédito: Neuroscience News

Fonte: Yale

Contato: Rachel Tompa – Yale

Léo Garcia é pesquisador com formações em Neurociência Comportamental (PUC), Clínica (Duke University) e Translacional (Harvard Medical School). Especialista em tDCS, sono e comportamento, é fundador do Neurociencianews.com, e o NeurologicBr Institute onde divulga ciência baseada em evidências com foco em cognição, saúde cerebral e neurotecnologia.

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